OPINIÃO: NÃO ESQUEÇA DO CÉREBRO NA HORA DE VOTAR

DISPONÍVEL A TODOS OS LEITORES: Nesta Coluna de Opinião, o jornalista João Gabriel Silva apela novamente ao bom senso para os leitores deste site que irão se dispor a votar em um dos candidatos a Presidente da República no Brasil, para que usem uma coisa no dia 25 que eles raramente usam quando o assunto é política: o cérebro (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

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Por João Gabriel Silva

Domingo, dia 25, voltamos às urnas para a tal “festa da democracia”, que, convenhamos, anda sem graça. Mas é ali que a decisão sai, e quem se omite aceita o que os outros decidirem.

É o segundo turno, e vamos escolher quem segura as rédeas do país por quatro anos. Tem gente vendo o bem contra o mal, o Império contra a República (os nerds pegaram a referência). É exagero. O que existem são dois projetos de poder opostos, e nenhum deles é salvação.

Vamos aos fatos: nenhum dos dois traz novidade. Um quer o quarto mandato, e a essa altura já parece mais apego ao cargo do que espírito público. O outro quer requentar o projeto fracassado do pai, como se herança política fosse currículo.

O primeiro parou no tempo. Fala para um país que não existe mais, e a sociedade mudou muito desde o seu primeiro mandato, na aurora do século, sem pedir licença. Fez coisa boa, e não foi pouca, mas insiste em erros estruturais que vão custar caro nas próximas décadas.

O segundo tem boas ideias, mas vive fora da realidade de boa parte dos brasileiros. E ainda se curva diante dos EUA e do presidente de lá, como se isso fosse estratégia. É bajulação, e das baratas. Quem entrega concessões esperando afago esquece que os americanos olham para o lucro deles, não para o nosso desenvolvimento, não à toa eles tem o lema: “America First" ("América em Primeiro Lugar").

Para completar, a internet transformou boato em “notícia”, e muita gente repassa sem checar e sem vergonha. Dos dois lados, vale destacar. Mentira não circula por acaso: serve para assustar, virar voto e sujar o adversário. Quem compartilha sem verificar vira peça da engrenagem silenciosa que move a política brasileira.

Ganhe quem ganhar, o Brasil não vira ditadura (a de 1964 nasceu de um contexto bem diferente) e, depois de tantos anos de governos de “esquerda”, também não virou a Venezuela. Medo é a muleta de quem não tem proposta.

Votar é o primeiro passo, não o fim. Quem ganhar vai governar com o nosso dinheiro e em nosso nome, e cabe a nós cobrar e fiscalizar. Isso vale para os programas sociais: não são favor de governante, são dever do Estado, previsto na Constituição, que no artigo 6º garante direitos como saúde, educação, moradia e assistência a quem precisa. Contudo, esquecemos justamente desse detalhe que é de nossa inteira responsabilidade quando depositamos o número do político favorito na urna. Ou só o fazemos em parte quando o candidato que a gente não gosta se elege. E um governo que presta não para aí: cria condições para que as pessoas consigam emprego e prosperem sem depender de ajuda.

Por isso, não vote por susto nem por ídolo. Leia as propostas, desconfie do que chega no zap e vote. A conta da escolha do dia 25 vai chegar para você, e vai ficar por muitos anos. Evite votar com o fígado e use o cérebro, ao menos, uma vez em sua vida.

Votar é o mínimo. Pensar antes de votar é o que mais importa.