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Por William Lourenço
Que festa horrível essa da democracia, hein?
Uma "festa" onde você precisa interagir com pessoas das quais você detesta profundamente, ou até nem conhece pessoalmente a ponto de detestar com mais profundidade, pegar longas filas debaixo de sol forte (em alguns lugares)... Tudo isso para exercer seu direito que, na verdade, é uma obrigação, de votar. E se você não for à festa da qual sequer faz questão de ser convidado, ainda tem que pagar uma multa. Ainda bem que eu nem fui... E quem foi, tem muitos motivos para ter se arrependido. Ressaca sempre bate...
O primeiro e mais notório, àqueles que vestem camisa vermelha e falam tanto que todo mundo que não vota no Lula é fascista, é que justamente o candidato que eles não queriam que vencesse liderou as intenções de voto e sai na frente na disputa do segundo turno. Mesmo sendo um cagão como o amigo de fé, irmão e camarada do Jair, Flávio Bolsonaro precisou fazer muito pouco para que os eleitores tão xingados pela turma da picanha simplesmente não votassem no petista.
Aliás, o Lula foi o maior cabo eleitoral do Flávio nos últimos dias. Ele, os membros do TSE indicados por ele e os ministros do STF que apoiam ele sem a menor pachorra ou vergonha na cara. As decisões que impactaram a realização do debate da Globo, a proibição da bets que o Lula havia sancionado em 2023 com votos do próprio PT no Congresso, dentre outras incoerências que ficaram difíceis demais de justificar, pelo curto período em que elas aconteceram, enfim pesaram na consciência de alguns.
O reflexo dessa insatisfação com o discurso vazio e mentiroso de que todo pobre terá direito a picanha e a cerveja, mas curiosamente não a um emprego decente que o permitirá sair da pobreza a longo prazo e por conta própria, pode também ser analisado nas demais votações.
Para que qualquer um dos ministros putanheiros do STF seja retirado do cargo via impeachment, o Senado precisa, em tese, de 41 favoráveis a isso. O caso do Banco Master envolvendo diretamente os nomes de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli (menção honrosa a Gilmar Mendes, que merece sair dali a pontapés na bunda há anos pelo currículo desonroso que acumulou), mais a censura visando proteger o Flávio Dino, fez com que os brasileiros pensassem: "Quer saber? A direita falou tanto desses caras e fala tanto desse impeachment, que dessa vez vamos dar a maioria que eles querem". E conseguiram!
O PL, partido dos Bolsonaro, se consolidou como a maior bancada tanto da Câmara quanto do Senado. Também conseguiu cinco governadores diretos pela legenda, fora aqueles de outros partidos alinhados com o Flávio na candidatura presidencial. Caso do Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no estado de São Paulo com acachapantes 14 milhões de votos (62% dos votos válidos) em cima de Fernando Haddad (ex-ministro da Fazenda nesta gestão do Lula).
Aliás, e é até ruim dizer isso, saber dessa derrota do petista em São Paulo me deixou pessoalmente feliz por conta de um evento que aconteceu em 2007 e que, até hoje, me faz ter uma impressão péssima sobre ele.
No 5º Congresso Nacional do MST, eu (que tinha meus 10 anos) estava com outras crianças numa escolinha montada próximo ao ginásio onde ocorria o evento, quando o então Ministro da Educação apareceu por lá. Ele foi, inclusive, o único representante do governo Lula (que já vinha enfrentando desgastes com o movimento) a dar as caras por lá, mas em todo o tempo que esteve por ali, ficou olhando para todas as crianças, com uma cara fechada e de nojo: típica de pessoas que costumam se achar superiores intelectualmente às outras. Dali, passei a odiá-lo como ser humano também. E sempre que ele se candidata a algum cargo e perde, a criança que o viu em 2007 com aquela cara de nojo festeja.
Voltando à Coluna de Opinião, esse esqueleto ideológico que hoje se apresenta como esquerda brasileira ainda teve algumas baixas consideráveis: o PSOL (partido que eu não sei pra que cacete serve) perdeu, somente em São Paulo, cinco cadeiras na Câmara e não conseguiu atingir a chamada cláusula de barreira por 185 votos, impactando diretamente em seu tempo de televisão e na verba dos fundos partidário e eleitoral ano que vem. Figuras como Érika Hilton e Sâmia Bonfim voltarão à Câmara, mas mais enfraquecidas pelos poucos colegas que a acompanharão.
Múmias velhas atreladas ao petismo e ao governo Lula sequer conseguiram se eleger, e a lista da limpa é enorme: Gleise Hoffman, Renan Calheiros (que larga o osso após 32 anos, um Renangate e tantos outros escândalos de corrupção com seu nome na história moderna do Brasil), Marina Silva, Simone Tebet (que deveria ter ficado quieta em 2022, após sua expressiva votação naquele pleito), dentre outros.
O Flávio Bolsonaro, nas poucas oportunidades que teve de falar alguma coisa, foi coerente com aquilo que prega: o ódio ao petismo e o culto à burrice que seu pai semeou e colheu enquanto Presidente da República. O Lula foi contraditório perante os seus, mentiroso com os brasileiros e estúpido com os que pensavam diferente dele: igual o Jair. O Flávio, ao menos por enquanto, está sabendo ficar calado com os divergentes e fingindo um acolhimento para angariar esses votos e tirar o petista a chutes do Palácio do Planalto. Neste domingo, ele conseguiu a primeira parte.
Eu poderia falar mais sobre as eleições estaduais (com destaque pra reeleição da Raquel Lyra em Pernambuco), mas sinceramente, eu estou cansado. Literalmente: alguns retardados de moto ficaram passando pra cima e pra baixo a madrugada toda fazendo barulho e eu não dormi nada, mesmo sendo meu dia de folga.
Que Nossa Senhora Aparecida, enquanto ainda for nossa padroeira, abençoe esse país. Dia 25, os festeiros da democracia se reunirão de novo. E já adianto que eu não irei nem fodendo.
