 |
| DISPONÍVEL A TODOS OS LEITORES POR TEMPO LIMITADO: Quatro anos atrás, o jornalista William Lourenço havia escrito uma coluna de opinião sobre a movimentação de apoiadores de Lula e Jair Bolsonaro chamada de voto útil, e de como aquilo era patético. Agora, com levíssimas alterações, a política brasileira traz uma sequência direta desse patético pedido e, claro, o retorno de um personagem antológico para quem se diz de esquerda e quem se diz de direita (Foto: Reprodução/ Internet) |
Leia também: Opinião- O voto (in)útil
Coluna de Opinião disponível para todos os leitores até sexta-feira, 16 de outubro. Após este período, seu acesso será restrito para assinantes do plano Cafezinho Completo: adquira-o por R$ 5/mês para ter acesso completo às outras Colunas de Opinião, bem como as matérias exclusivas deste site
AVISO AOS LEITORES: ao contrário de nossas reportagens, a Coluna de Opinião traz, como o próprio nome já diz, a opinião de quem a escreve sobre fatos concretizados, não representando necessariamente um posicionamento oficial do Podcast Cafezinho com William Lourenço, enquanto veículo de imprensa (emitido somente por meio de nossos Comunicados Oficiais e Editoriais).
Por William Lourenço
O Brasil, infelizmente, é um museu de grandes novidades (que o Frejat não venha me encher o saco por essa referência). E também um país que, no aspecto político, se repete e deixa de convencer qualquer um com neurônio de que há, de fato, distinção entre ditos de esquerda e ditos de direita.
No longínquo ano de 2022, eu escrevi uma Coluna de Opinião para este site mesmo chamado "O voto (in)útil". Nele, eu falei sobre como apoiadores do Lula e de Jair Bolsonaro aderiram a uma campanha chamada de voto útil: ou você votava em um dos dois, ou seu voto não seria útil. Não valeria de nada e ameaçaria a democracia. Também apontei, sempre sob meu ponto de vista e minha opinião (afinal, esse site também é meu e eu publico aquilo que quiser), as semelhanças entre ambos os candidatos (que eram e continuam sendo muitas). Ali surgia um personagem icônico, que nem meu é, mas sim criação do retardo mental do eleitorado que os idolatra: o BolsoLula, resultado de um combinado oculto entre Lula e Jair Bolsonaro. A síntese do mal da política, que não é nem de esquerda nem de direita. Embora a intenção tenha sido unir aquilo que havia de bom em suas ideologias, por não ter quase nada de bom, o espírito se tornou um vilão que nenhum dos políticos conseguiu conter sozinho.
Quatro anos depois, o Jair foi preso e ficou inelegível, sendo forçado a colocar seu filho Flávio na disputa presidencial e na liderança da turma do "vamos todos ter uma arma". O Lula, que já tinha sido preso em 2018 e voltou a roer o osso do poder em 2022, continua liderando a turma do "vamos todos dar a bunda" e continua não querendo largar o osso do poder tão cedo. Quem já leu qualquer texto escrito aqui sabe o porquê de eu não me referir a estes espectros ideológicos como direita e esquerda: quem quiser, que pesquise.
Mas onde é que entra o retorno do BolsoLula prometido no título? Calma, cara: não se entrega o clímax de uma história assim, antes da metade do texto. Continue lendo, chegaremos juntos lá.
"O espírito do BolsoLula foi trancado em uma garrafa com a vitória do petista no segundo turno de 2022. Ele e o Jair haviam feito uma promessa oculta de nunca mais deixar aquele espírito sair da garrafa, pois se isso acontecesse de novo, o Brasil e o mundo estariam em perigo. A garrafa foi deixada em um lugar restrito a visitantes no Palácio do Planalto e tudo parecia seguir muito bem... até o dia 08 de janeiro de 2023.
Com a invasão dos malucos na Praça dos Três Poderes, tudo que aparecia pela frente deles era marcado com batom, cagado ou quebrado. Ao voltar ao Planalto para ver os estragos, Lula entra em pânico ao não visualizar uma garrafa específica. Ele, imediatamente, liga para o Jair e diz: "Deu ruim, companheiro". Mais importante do que qualquer réplica da Constituição ou qualquer quadro de artista brasileiro, o recipiente que mantinha o BolsoLula trancafiado havia desaparecido. E ainda que tenham prendido gente a rodo e recuperado trocentos objetos dos prédios do STF, do Congresso e do próprio Planalto, aquela maldita garrafa nunca mais foi vista.
Já liberto da garrafa, o BolsoLula passou a agir em prol de seu maléfico plano de dominação e confusão mental. Primeiro, ele invade os corpos de petistas e faz eles dizerem e agirem como bolsonaristas: disseminando fake news pelas redes sociais, defendendo impeachment de ministros do STF e, mais recentemente, falando em ações mais duras contra bandidos. Só faltou o Lula fazer um sinal de arminha para bugar a mente do povo, mas o BolsoLula é astuto e não entregaria tão facilmente seu plano.
Depois, ele invade os corpos dos bolsonaristas e faz eles dizerem e agirem como petistas: defendendo o fim da escala 6 por 1, se aproximando dos mais pobres e sendo contra a disseminação de fake news.
Tudo isso, vale lembrar, faz parte de seu maléfico plano de dominação e destruição: pegando os eleitores idiotas de ambos os lados, ele consegue acabar com todos de uma só vez. E adquirindo todo esse poder, fica muito mais fácil destruir o Brasil e o mundo".
Obviamente que o trecho acima é meramente ficcional, mas vocês tem que admitir: que roteiro, hein?
Quando eu e até meu sócio aqui no Podcast Cafezinho repetimos a máxima de que Lula e qualquer Bolsonaro são a mesma porcaria, e há anos dizemos isso, é porque eles adotam as mesmas posturas deploráveis e têm a mesma ambição porca de perpetuação de poder enganando os cidadãos, aparelhando todos os poderes em seu benefício e buscando uma autocracia ou até mesmo uma ditadura.
Parte das leis aprovadas neste governo Lula que coibiram certas liberdades (como a de opinião e livre pensamento), como aquela abominação da Lei Anti-Piadas, e que bolsonaristas passaram a berrar reclamando de censura só ganharam vida porque o Congresso editou aquela desgraça durante o governo de Jair Bolsonaro (com apoio de parlamentares da dita direita), e o próprio só ficou chateado por ele não ter colocado sua assinatura no papel para perseguir seus adversários.
Até no escândalo do Banco Master, todos têm sua parcela de intimidade e culpa junto ao Daniel Vorcaro. Filme de um, documentário de outro. Mesma coisa.
"Neste domingo começa o dia mais difícil da nossa democracia, pois os brasileiros, em vez de eliminar os causadores do câncer que vem adoecendo nossa sociedade, preferiram escolher o seu tumor maligno preferido e matar a todos nós. Não há mais solução: a sobrevida que nossa democracia teria foi jogada no lixo. Preparem-se para se despedirem da nossa democracia a partir de primeiro de janeiro de 2023. Independente de quem assuma a Presidência, o mal que faz parte da maioria da nossa população vencerá. A imoralidade, a indecência, a covardia e a impunidade vencerão. Se fôssemos mesmo um povo decente e honesto, jamais cogitaríamos, nem teríamos, dois indivíduos polutos como estes disputando o cargo mais importante da República. Vocês fazem por merecer toda a desgraça que o país atravessa há séculos, e que atravessará por mais alguns séculos ainda"
"Aos que ainda insistem em querer votar no Lula pra tirar o Bolsonaro, ou no Bolsonaro pra tirar o Lula, saibam que este sim será o voto mais inútil que vocês darão ao país. Democracia tem alternância de poder e pluralidade de candidatos, ideias e propostas. Parem com essa mania feia de defender seu bandido favorito. Considerem outras opções, porque elas existem. O que está aí não dá mais, porém o que já foi também não merece voltar.
Quem apoiava um destes dois bandidos sem conhecer as atrocidades cometidas por eles, até poderia ser chamado de ingênuo, no máximo ignorante. Quem os apoia agora, com tudo que já sabemos de ambos, não pode ser considerado nada menos que cúmplice destes crimes e tão bandido quanto eles. Os dois são, no fundo e em sua essência, a mesma coisa. E seus ferrenhos puxa-sacos também"
Os brasileiros pagaram para ver o BolsoLula de volta, subestimando este espírito e os danos irreversíveis que ele poderá fazer ao Estado Democrático de Direito. Que sofram as consequências sem reclamar.