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| Pesquisa com adultos sedentários identificou ganhos cardiovasculares e metabólicos mais expressivos quando a atividade física respeita o cronotipo individual |
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Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Será que existe um horário ideal para fazer
exercícios? Um novo estudo sugere que sim. Publicado em abril na revista
científica Open Heart, o trabalho observou benefícios mais
expressivos para o coração, o metabolismo, o condicionamento físico e a
qualidade do sono quando os participantes praticavam atividade física em
horários compatíveis com o relógio biológico de cada um.
Na pesquisa, 150 adultos sedentários entre 40
e 60 anos foram acompanhados durante 12 semanas. Divididos conforme o cronotipo
— matutino ou vespertino —, os participantes realizaram exercícios em horários
alinhados ou opostos ao funcionamento natural do organismo. Quem treinou em
sintonia com o relógio biológico apresentou melhora mais acentuada de
indicadores cardiovasculares e metabólicos, além de ganhos no condicionamento
físico e no sono.
E isso faz sentido em termos clínicos. “Não é
apenas uma preferência pessoal. Existe um relógio biológico que regula, ao
longo das 24 horas, quando a pressão arterial sobe, quando o metabolismo está
mais ativo e quando o corpo responde melhor ao esforço físico”, explica o
cardiologista Israel Guilharde Maynarde, do Einstein Hospital Israelita em
Goiânia. “Quem acorda cedo espontaneamente e já se sente disposto tende a ser
matutino. Quem rende melhor à noite, e naturalmente dorme e acorda mais tarde,
costuma ser vespertino.”
De acordo com o cardiologista, conhecer essa
diferença do cronotipo é importante, porque o organismo não funciona da mesma
forma ao longo do dia — a pressão arterial, a frequência cardíaca, a
temperatura corporal, o metabolismo e a resposta hormonal seguem oscilações
naturais, controladas pelo ritmo circadiano.
Entre os participantes hipertensos do estudo,
quem treinou em horários compatíveis com o cronotipo apresentou melhora na
pressão arterial sistólica, aquela medida quando o coração se contrai para
bombear sangue. Quando ela está elevada, aumenta o risco de infarto, acidente
vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal. “Esse
já era um tema discutido em estudos anteriores, mas este trabalho reforça a
importância do alinhamento entre o horário do treino e o relógio biológico”,
avalia Maynarde.
Não significa, porém, que exista um “horário
perfeito” e universal para treinar. O próprio artigo evidencia que mesmo os
participantes que se exercitaram em horários considerados “desalinhados” com o
cronotipo também melhoraram indicadores cardiovasculares e metabólicos, embora
de forma mais discreta. “O exercício continua sendo benéfico independentemente
do horário. O alinhamento parece funcionar como um ganho adicional, não como
condição obrigatória para ter resultado”, frisa o cardiologista.
Esses achados também contribuem para desbancar
o mito de que fazer atividade física pela manhã aumentaria o risco de infarto.
Embora eventos cardiovasculares sejam mais frequentes nas primeiras horas do
dia, isso não quer dizer que o exercício matinal seja perigoso para quem
pratica atividade física regularmente.
“O maior risco costuma estar em pessoas
sedentárias, com doença cardiovascular descompensada, que fazem esforço intenso
de forma abrupta”, alerta o médico do Einstein. “Para quem treina regularmente,
com progressão adequada e aquecimento, o exercício matinal é seguro e, em
indivíduos matutinos, pode até ser o período de melhor resposta fisiológica.”
O estudo também encontrou melhora
significativa na qualidade do sono entre os participantes que treinaram em
horários compatíveis com o cronotipo. Faz sentido, já que o exercício físico
também atua como um sincronizador do relógio biológico. “Exposição à luz
natural pela manhã, horários regulares para dormir e comer, e a manutenção de
uma rotina consistente de exercícios ajudam a ajustar o ritmo circadiano”,
orienta Israel Maynarde.
Fonte: Agência Einstein
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