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| Estudo reforça que a queda do chamado “colesterol ruim” diminui o risco de infarto e AVC em pessoas de maior risco cardiovascular |
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Por Regina Célia
Pereira, da Agência Einstein
Apesar
do consenso científico sobre a relação entre colesterol elevado e maior risco
de doenças cardiovasculares, cresce nas redes sociais um movimento que minimiza
os impactos do LDL, conhecido como “colesterol ruim". Essa corrente
questiona o papel da substância na aterosclerose, processo caracterizado pelo
acúmulo de placas de gordura nas artérias que compromete a circulação sanguínea
e aumenta o risco de eventos graves, como infarto do miocárdio e
acidente vascular cerebral (AVC).
As
evidências, porém, seguem apontando o contrário. Uma pesquisa publicada em
março no periódico científico JAMA
reforça a importância de equilibrar os níveis de LDL para proteger o coração.
Segundo o estudo, a diminuição do colesterol esteve associada à redução de
eventos cardiovasculares em pacientes considerados de alto risco, mas que não
haviam sofrido um evento cardiovascular.
Os
resultados foram obtidos a partir da análise de dados de 3.655 pessoas com
diabetes, participantes do VESALIUS-CV, levantamento internacional que
reuniu mais de 12 mil voluntários acompanhados por quase cinco anos. A pesquisa
envolve cientistas de 33 países, incluindo o Brasil, e avalia a eficácia do
evolocumabe, medicamento da classe dos inibidores de PCSK9.
Esses remédios atuam sobre uma proteína relacionada à captação do LDL pelo
fígado, favorecendo a retirada do excesso de colesterol da circulação sanguínea.
Entre os participantes que receberam o medicamento, a média de LDL alcançada
foi de 44 mg/dL, nível que equivale a quase um terço do usual na população. “Os
achados reforçam o papel da adoção precoce de estratégias preventivas”, comenta
o cardiologista Raul Santos, pesquisador do Einstein Hospital
Israelita e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(USP).
O trabalho mostrou que combinar o evolocumabe com as estatinas tem efeitos superiores ao uso isolado de estatinas na redução do risco cardiovascular. “Os benefícios ocorreram de forma totalmente segura, apesar dos valores muito baixos de LDL durante o tratamento”, aponta Santos.
Ainda que o colesterol tenha má fama, vale lembrar que o
problema está no excesso. Em doses adequadas, trata-se de um componente
essencial ao organismo. Inclusive, nosso corpo consegue produzi-lo para suprir
as demandas. Entre algumas de suas funções, está a participação na estrutura
das membranas celulares, permitindo a entrada e a saída de substâncias vitais,
como os nutrientes. “Também é fundamental para a síntese de certos hormônios e
da vitamina D”, exemplifica o cardiologista.
Para circular
pelos vasos sanguíneos, o colesterol precisa pegar carona em partículas
transportadoras: a LDL e a HDL. A primeira, chamada de lipoproteína de baixa
densidade, ficou conhecida como colesterol ruim. Isso porque, quando ela não dá
conta de carregar todo o montante, pode derrubar parte pelo caminho,
favorecendo a formação de placas. Já a HDL, ou lipoproteína de alta densidade,
carrega o que ficou para trás, deixando as artérias limpas e evitando acúmulos
danosos.
Fatores de risco
Para indivíduos de alto risco,
quanto menores forem as taxas de LDL, melhor. Além dos diabéticos, quem tem
histórico familiar de problemas cardíacos antes dos 60 anos de idade,
fuma ou
apresenta a síndrome metabólica — caracterizada por taxas elevadas de glicose,
alterações nos triglicérides e colesterol, hipertensão arterial e acúmulo de
gordura na região abdominal — requer mais atenção.
Outro marcador importante é a
lipoproteína (a), já que suas taxas elevadas indicam inflamação e predisposição
genética para a formação de placas de gordura. Tais fatores podem prejudicar o
endotélio, tecido que recobre os vasos. “Esses vasos acabam mais suscetíveis ao
acúmulo de partículas gordurosas e aos processos inflamatórios”, explica o
médico do Einstein.
Manter
um peso saudável e controlar adequadamente esses parâmetros é fundamental para
a saúde cardiovascular. Nesse contexto, a prática regular de atividade física e
uma alimentação equilibrada devem fazer parte da rotina.
A Associação Americana do Coração (AHA), dos Estados Unidos,
atualizou, no final de março, suas diretrizes para a nutrição cardioprotetora. “Assim
como a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, de
2025, ela reforça uma abordagem integrada, associando alimentação, estilo de
vida e tratamento medicamentoso”, detalha a nutricionista Valéria Machado,
colaboradora em pesquisas no setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia
Vascular da disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp).
Para ela, as normas chegam para consolidar uma mudança
conceitual. “O foco deixa de ser o nutriente isolado e passa a ser o padrão
alimentar todo”, afirma Machado. Entre as recomendações está a de ajustar a
ingestão e o gasto energético para atingir e manter um peso corporal saudável,
ou seja, vale adaptar o total de calorias ao perfil e às atividades realizadas
no cotidiano.
Outra sugestão é rechear o cardápio com mais frutas e
hortaliças. Priorizar grãos integrais e seus derivados é mais uma prática
válida. “A diretriz reforça que o LDL-colesterol permanece como alvo central na
prevenção cardiovascular”, aponta a nutricionista. Nesse sentido, as principais
atitudes incluem reduzir o consumo de gorduras saturadas, presentes em carnes,
laticínios, no coco, entre outros alimentos. Não é preciso excluir esses itens,
mas escolher versões desnatadas e maneirar na quantidade e frequência.
No caso das carnes, os cortes de patinho, coxão-mole,
filé-mignon e lombo suíno são opções interessantes. “Recomenda-se a retirada da
gordura aparente e dar preferência por preparações grelhadas, assadas ou
cozidas”, ensina Valéria Machado. Por fim, não custa reforçar que é primordial
considerar o contexto social, cultural e econômico para que o padrão seja
sustentável em longo prazo.
Fonte: Agência Einstein

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