OPINIÃO: O DIA DOS (CORAÇÕES) FINADOS

 

SOMENTE PARA ASSINANTES: Neste 13 de junho, Dia de Santo Antônio, o jornalista William Lourenço falará não das notícias corriqueiras do mundo (como de costume), mas do Dia dos Namorados que foi ontem e das experiências que ele teve relacionadas a essa data e que o fizeram considerar tal dia triste (Foto de Tina Nord para Pexels) 

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AVISO AOS LEITORES: ao contrário de nossas reportagens, a Coluna de Opinião traz, como o próprio nome já diz, a opinião de quem a escreve sobre fatos concretizados, não representando necessariamente um posicionamento oficial do Podcast Cafezinho com William Lourenço, enquanto veículo de imprensa (emitido somente por meio de nossos Comunicados Oficiais e Editoriais).

Por William Lourenço

Fala, pessoal. Tudo em ordem?
Hoje eu resolvi fazer uma Coluna de Opinião diferente: em vez de abordar os cansativos (e repetitivos) assuntos relacionados às notícias do Brasil e do mundo, eu vou falar sobre um dia que, particularmente, eu considero o mais triste do ano, embora muitos celebrem: o Dia dos Namorados.
Em todo esse tempo de vida, eu tive apenas uma namorada. Ainda assim, lá na infância. Depois disso, fiquei mais de dez anos sem vê-la porque tinha mudado de município. Ao reencontrá-la, já estava casada e com filhos. Faz parte. Voltamos a ser amigos até a morte dela, em 2017. Caso estivesse viva, faria 30 anos junto comigo no mesmo 16 de agosto.
Por ter sido sempre um moleque introvertido, eu tive muita dificuldade em me aproximar das meninas que eu gostava ou que me sentia atraído. Por esse motivo, a comédia me ajudou muito a ganhar confiança para socializar.
Por ter sido um moleque de origem mais humilde, as meninas que eu gostava sempre se envolviam com caras que tinham dinheiro no bolso. Ainda que dissessem que eu era alguém interessante, a coisa não avançava. E eu passei a me questionar: será possível que não terá ninguém que goste de mim da mesma forma que eu, um dia, gostarei dela?
Por causa dos foras e das demais frustrações amorosas que sofri que algumas decisões acabaram sendo por mim tomadas. No Ensino Médio, por exemplo, eu havia me apaixonado por uma colega de sala. A gente estudava junto desde o primeiro ano e se dava muito bem. Então, cometi o erro crasso de dizer isso no último dia de aula, na frente de todos meus colegas. A menina apenas me viu, virou a cara e foi embora. Já era conhecido como um cara que fazia graça e contava piada na escola, além da inteligência, então isso me blindou um pouco do constrangimento. Contudo, não deixou de ser um tremendo baque. Na época, eu já havia sido aprovado em duas faculdades e, fora a questão da afinidade com a área da Comunicação, essa decepção amorosa me fez escolher o curso que ficava mais longe dali. Pra esquecer, sabe?
Num passado não muito distante, eu tomei outro balde de água fria. Após conhecer uma mulher lindíssima e com quem eu me dava muito bem, decidi pedi-la em namoro após muitos meses de conversa. Dessa vez não deu tempo de passar vergonha em público, pois acabei vendo ela com outro cara em pleno Dia dos Namorados. Clássico enredo de filme de comédia romântica. Novamente, me vi obrigado a focar em outras coisas para esquecer mais uma decepção, como o trabalho.
As experiências mal sucedidas no aspecto amoroso são coisas que todos os homens passarão, em menor ou maior intensidade. Só que quando a intensidade dessas experiências vai aumentando conforme os anos passam, você passa a questionar seu valor enquanto ser humano. Quando é por falta de dinheiro, você se vira como pode para ter. Quando é por falta de conteúdo, você se vira como pode e estuda. Você busca ser uma pessoa interessante em todos os aspectos e quando esse objetivo é atingido, mas ainda assim, aquela pessoa não te quer, aí você conclui que aquilo jamais seria seu e que, talvez, ninguém jamais será. 
E passa a desacreditar em datas como o 12 de junho, e passa a se sentir muito mal por ter que atravessar isolado essa data enquanto está rodeado por casais melosos a caminho do trabalho e bombardeado por postagens igualmente melosas nas redes sociais.
Ainda que venha alguém com intenções boas e que até venha a gostar de você neste ponto, você simplesmente não acredita. Ignora, se isola e continua nesse sentimento de luto em vida. Passa a focar em outras coisas para... Eu não diria preencher, mas esquecer o vazio naquele momento. Então, até fico aliviado por essas coisas terem me acontecido, pois por causa delas, eu pude me atrever a fazer outras coisas que viriam, mais tarde, a me dar um pouco de satisfação. E eu não sou o único. O problema é que isso também pode acabar nos matando aos poucos...
Já existem estudos científicos que apontam que a solidão pode contribuir para, por exemplo, o aumento na mortalidade decorrente de câncer. E também recentemente, foi descoberta uma doença chamada Síndrome do Coração Partido. O nome sugestivo não foi escolhido à toa: ela é provocada por situações de forte abalo emocional que, repetidamente, vão enfraquecendo os músculos do coração até chegar num ponto em que ele está fraco demais pra bombear sangue para seu corpo e aí você morre. Tais coisas você acaba sabendo nas matérias da Agência Einstein que o site do Podcast Cafezinho publica.
A parte boa é que, quando a data passa, a vida volta ao normal e o tal luto termina. Bom, até o 12 de junho do ano seguinte...