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| Pesquisa mostra que consumo excessivo, ainda que ocasional, agrava o “fígado gordo”, elevando o risco de fibrose, cirrose e câncer hepático |
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Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein
Abusar da bebida alcoólica, mesmo que
de vez em quando, pode triplicar o risco de fibrose no fígado em pessoas que já
apresentam acúmulo de gordura no órgão, aponta um estudo publicado em abril na revista científica Clinical
Gastroenterology and Hepatology. Os resultados reforçam que não
importa apenas a quantidade total de álcool, mas também a forma como ele é
ingerido.
“O estudo traz evidências robustas,
relevantes, de que se deve considerar o padrão de consumo de álcool como fator
de risco, e chama a atenção para quem consome de vez em quando uma grande
quantidade, o que às vezes pode até parecer um ‘consumo recreativo’”, analisa a
hepatologista Carolina Pimentel, do Einstein Hospital Israelita.
O trabalho analisou dados coletados
entre 2017 e 2023 de 8 mil participantes do levantamento National Health and
Nutrition Examination Survey, nos Estados Unidos. Os pesquisadores
observaram que consumir álcool em excesso ao menos uma vez por mês — quatro ou
mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens — representa um risco
maior de fibrose hepática do que ingerir a mesma quantidade diluída ao longo
desse período.
Os achados são especialmente
preocupantes diante do avanço da esteatose hepática, popularmente conhecida
como “gordura no fígado”. A condição, ligada principalmente ao estilo de vida,
já afeta cerca de 40% da população adulta mundial. Ela pode desencadear
inflamação crônica, cicatrizes, cirrose e até câncer hepático. Atualmente, a
doença está entre as principais causas de transplante de fígado.
Nos últimos anos, especialistas
também passaram a revisar a classificação dessas doenças. Desde 2023, o popular
“fígado gordo” recebeu o nome oficial de doença hepática esteatótica associada
à disfunção metabólica (MASLD, na sigla em inglês), pois se sabe que o depósito
de lipídios está associado a um conjunto de alterações metabólicas como
obesidade, hipertensão, altas taxas de glicemia e triglicérides e baixo
colesterol HDL. Mas, se além de gordura o indivíduo consome bebida alcoólica
com frequência, trata-se da doença hepática metabólica e alcoólica (MetALD).
O novo estudo sugere que parte dos
pacientes classificados hoje como MASLD também deveria ser considerada em uma
categoria de maior risco associada ao álcool. Segundo os autores, cerca de 16%
dessas pessoas relataram episódios ocasionais de consumo excessivo.
Para Carolina Pimentel, o artigo
reforça a necessidade de ampliar o rastreamento e o acompanhamento desses
pacientes. “Não é ‘só uma gordurinha’”, alerta. “O fígado sofre silenciosamente
durante muito tempo. Mesmo com fibrose ou até cirrose, ele consegue manter suas
funções sem causar sintomas. Quando aparecem, pode ser que a pessoa já tenha um
câncer hepático ou precise de transplante.”
Para evitar complicações, é essencial
realizar check-ups regularmente e identificar precocemente sinais de esteatose,
para que ela não evolua de forma silenciosa. E lembre-se: não existe dose
segura de consumo alcoólico.
Fonte: Agência Einstein
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