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Para a Fah, que planta perguntas.
Certa vez, alguém me lançou uma ideia
simples, quase de passagem: sorte não traz felicidade. Conhecimento sim.
Isso ficou comigo durante um bom tempo. É o tipo de frase que
parece pequena no momento em que é dita, mas vai crescendo devagar, ocupando
espaço, até que você percebe que ela reorganizou alguma coisa dentro de você, e que mostrou algo que estava encoberto diante dos seus olhos.
Existe uma crença antiga, quase
instintiva, de que a felicidade é uma questão de sorte. Estar no lugar certo,
na hora certa. Nascer sob a estrela certa. Como se a vida fosse um jogo de
dados e os mais felizes fossem simplesmente os que acertaram o lançamento,
aqueles que não acertam passarão a vida inteira sendo azarados.
Mas a sorte é passageira por natureza.
Ela chega sem avisar e vai embora da mesma forma. Quem depende dela vive num
estado de espera que desespera, pois a pessoa passa o tempo esperando que
algo bom aconteça de fora para dentro e talvez isso não aconteça. E essa
espera, por si só, já é uma forma de infelicidade.
O conhecimento é diferente. Ele não cai
do céu. É conquistado, construído, às vezes arrancado da dor e da experiência.
E justamente por isso, ninguém pode tirar. A sorte pode virar: o que você sabe,
permanece e como o que se sabe é muito menos do que o que não se sabe, sempre haverá
um movimento para continuar a busca por conhecer mais.
Há pessoas que lançam pérolas sem
perceber. Uma observação aqui, uma pergunta ali, e de repente você está
pensando sobre coisas que nunca tinha parado para ver. Essas pessoas não têm
mais sorte que as outras. Têm mais atenção. Mais profundidade. Mais
conhecimento sobre como o mundo funciona e como as pessoas se movem dentro dele,
contudo, alguns se prendem demais a ter ou não sorte e deixam de procurar se
aprimorar e adquirir mais conhecimento.
Talvez a verdadeira felicidade não
esteja em ser sortudo, mas em ser sábio o suficiente para reconhecer o valor do
que se tem, ver a beleza nas pequenas coisas, encontrar a felicidade nos
pequenos momentos de conversa, de companhia com boas pessoas...
A sorte passa e lhe desespera. O
conhecimento fica. E as pérolas... Essas a gente carrega para sempre.
