DISPONÍVEL PARA TODOS OS LEITORES POR TEMPO LIMITADO: Na Coluna de Opinião deste domingo, o historiador e jornalista João Gabriel Silva falará sobre a sutil, porém existente, diferença entre sorte e conhecimento e como a aplicação de ambos, sendo bem feita, pode alterar positivamente o destino de qualquer pessoa (Foto de Amar Preciado para Pexels)


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Por João Gabriel Silva


Para a Fah, que planta perguntas.


Certa vez, alguém me lançou uma ideia simples, quase de passagem: sorte não traz felicidade. Conhecimento sim.

Isso ficou comigo durante um bom tempo. É o tipo de frase que parece pequena no momento em que é dita, mas vai crescendo devagar, ocupando espaço, até que você percebe que ela reorganizou alguma coisa dentro de você, e que mostrou algo que estava encoberto diante dos seus olhos.

Existe uma crença antiga, quase instintiva, de que a felicidade é uma questão de sorte. Estar no lugar certo, na hora certa. Nascer sob a estrela certa. Como se a vida fosse um jogo de dados e os mais felizes fossem simplesmente os que acertaram o lançamento, aqueles que não acertam passarão a vida inteira sendo azarados.

Mas a sorte é passageira por natureza. Ela chega sem avisar e vai embora da mesma forma. Quem depende dela vive num estado de espera que desespera, pois a pessoa passa o tempo esperando que algo bom aconteça de fora para dentro e talvez isso não aconteça. E essa espera, por si só, já é uma forma de infelicidade.

O conhecimento é diferente. Ele não cai do céu. É conquistado, construído, às vezes arrancado da dor e da experiência. E justamente por isso, ninguém pode tirar. A sorte pode virar: o que você sabe, permanece e como o que se sabe é muito menos do que o que não se sabe, sempre haverá um movimento para continuar a busca por conhecer mais.

Há pessoas que lançam pérolas sem perceber. Uma observação aqui, uma pergunta ali, e de repente você está pensando sobre coisas que nunca tinha parado para ver. Essas pessoas não têm mais sorte que as outras. Têm mais atenção. Mais profundidade. Mais conhecimento sobre como o mundo funciona e como as pessoas se movem dentro dele, contudo, alguns se prendem demais a ter ou não sorte e deixam de procurar se aprimorar e adquirir mais conhecimento.

Talvez a verdadeira felicidade não esteja em ser sortudo, mas em ser sábio o suficiente para reconhecer o valor do que se tem, ver a beleza nas pequenas coisas, encontrar a felicidade nos pequenos momentos de conversa, de companhia com boas pessoas...

A sorte passa e lhe desespera. O conhecimento fica. E as pérolas... Essas a gente carrega para sempre.