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Um servidor público do município de Buíque, no agreste pernambucano, obteve uma importante vitória judicial no Supremo Tribunal Federal contra a Prefeitura para se manter no cargo de guarda municipal. O homem, ao qual não traremos qualquer dado que o identifique (embora o processo seja público e tais informações constem nele), havia sido aprovado no último concurso público feito em 2016, mas foi surpreendido em janeiro do ano seguinte com um ato do então prefeito Arquimedes Valença que o exonerou sem maiores detalhes, nem mesmo um procedimento administrativo que justificasse tal ato.
Em 2022, um Mandado de Segurança foi impetrado na Justiça estadual, anulando a exoneração e determinando a reintegração do servidor a seu cargo. O servidor, então, processou a Prefeitura de Buíque em 2024 pedindo o pagamento de todos seus vencimentos e demais vantagens desde sua exoneração até sua reintegração, além de uma indenização de R$ 40 mil por danos morais.
O Juiz Felipe Marinho dos Santos, da Vara Única da Comarca de Buíque, julgou parcialmente procedentes os pedidos do servidor público e condenou a Prefeitura a pagar tanto os vencimentos solicitados, quanto uma indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil. O magistrado reconheceu a conduta danosa do então chefe do Executivo buiquense contra o servidor público no ato de exoneração, fixando o valor da indenização baseado na razoabilidade e proporcionalidade do caso:
A Prefeitura, então, recorreu da sentença na segunda instância da Justiça pernambucana. A defesa do Município de Buíque havia dito que o ato se justificava pelo fato de que era preciso, por parte do então Prefeito, se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal; que a nomeação dele ocorreu às vésperas do término do mandato de Jonas Camelo Neto (julho de 2016) e que seria proibido por lei; e que a indenização por danos morais não se justificava. Tanto a Segunda Turma da Primeira Câmara Regional de Caruaru quanto o Gabinete do 2º Vice-Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco negaram provimento a todos os recursos protocolados pelo município: recurso extraordinário, apelação e embargos de declaração.
Todos os magistrados entenderam que houve sim ilegalidade cometida pelo Executivo de Buíque ao exonerar o servidor sem seguir um procedimento administrativo que desse a ele o direito à defesa e ao contraditório; e que o abalo provocado a ele com o ato ilegal justificava a indenização, proporcional à situação financeira do município. O caso então, subiu pro STF em fevereiro deste ano.
No dia 12 de fevereiro, o Ministro Edson Fachin (Presidente do STF) negou provimento ao recurso extraordinário da Prefeitura de Buíque em decisão monocrática. Segundo Fachin, não houve nenhuma violação à Constituição Federal na sentença desfavorável ao município que justificasse seu provimento, ainda que parcial:
Um agravo regimental foi, então, protocolado pela Prefeitura para tentar reverter a sentença. O Ministro Edson Fachin foi o relator e ele defendeu o não provimento do agravo, alegando que o reexame das provas não é possível de ser feito num recurso extraordinário.
O Plenário do STF, por unanimidade, acompanhou o voto do relator e negou o agravo da Prefeitura de Buíque, mantendo a obrigação do pagamento dos vencimentos retroativos e a indenização por danos morais ao servidor público.
Agora, a Prefeitura de Buíque visa modificar o mérito por meio dos embargos de declaração (que só servem para sanar alguma obscuridade, contradição ou omissão em decisão judicial). O Presidente do STF, Ministro Edson Fachin, analisará o novo pedido do município perante a corte.

