OPINIÃO: O SILÊNCIO VALE VOTO

 

DISPONÍVEL A TODOS OS LEITORES POR TEMPO LIMITADO: A mais nova Coluna de Opinião do Podcast Cafezinho falará sobre os recentes e grotescos erros de comunicação da equipe do Presidente Lula, e como eles estão fazendo com que a imagem de Flávio Bolsonaro, mesmo com seu conhecido histórico político, se torne mais positiva neste segundo turno das eleições presidenciais (Arte produzida com fotos de Ricardo Stuckert/ PR e Divulgação/ PL no Congresso)

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AVISO AOS LEITORES: ao contrário de nossas reportagens, a Coluna de Opinião traz, como o próprio nome já diz, a opinião de quem a escreve sobre fatos concretizados, não representando necessariamente um posicionamento oficial do Podcast Cafezinho com William Lourenço, enquanto veículo de imprensa (emitido somente por meio de nossos Comunicados Oficiais e Editoriais).


Por William Lourenço

Existe um ditado muito popular, sobretudo dentro da área da comunicação, que diz que "o silêncio vale ouro". A depender do momento, não falar nada pode ser mais valioso à reputação de uma pessoa do que simplesmente falar muito sobre algo do qual você não sabe ou tem uma linha de raciocínio muito estúpida, ou que beira até o crime. Dentro do cenário político, onde tudo se torna ainda mais sensível do que deveria, o silêncio vale voto. E voto perdido faz diferença pra quem visa um mandato.
As redes sociais reverberam de forma imediata toda e qualquer fala de toda e qualquer pessoa. Quando uma fala parece ser incoerente com outra postada pela mesma pessoa, logo essa incoerência é exposta. Em se tratando de políticos, também.
O segundo turno das eleições presidenciais no Brasil está sendo, ao menos até esta data, marcado pelo aparente silêncio adotado pelo Flávio Bolsonaro (PL) e o ruído de comunicação da equipe do Presidente Lula (PT) nas redes sociais.
As reclamações de apoiadores de décadas do petista à postura de protagonismo indevido adotado pela esposa dele (que, convenhamos, é tão simpática quanto uma tesoura de jardineiro entrando na bunda), as disseminações de informações falsas sobre o adversário (rapidamente desmentidas até por veículos de imprensa) e os perfis de jovens bundeiros declarando apoio com o uso não autorizado de imagens de artistas internacionais (incluindo uma polêmica com a equipe de marketing da banda Linkin Park) pareciam ser os únicos ruídos que a campanha petista cometeria após o resultado do primeiro turno, em que o filho do Jair surpreendeu estando à frente do candidato octogenário à reeleição. Resultado este que só foi possível graças a outros ruídos, dentre eles a proibição das bets depois de quase uma década de legalização e três anos regulamentadas e as decisões de uma advogada que era daquele grupo de inúteis chamado Prerrogativas, hoje ministra do TSE, e daquele igualmente inútil Gilmar Mendes que culminaram no cancelamento do debate da TV Globo (algo apontado como interferência indevida pela emissora). Só que nesta manhã (literalmente, nesta manhã em que escrevo esta Coluna de Opinião), a equipe de comunicação do Lula recebeu dois novos motivos para ficarem com dor de cabeça.
Primeiro: as postagens contraditórias de Ana Elisa Santos, jovem de 21 anos recém-eleita deputada federal por Minas Gerais pelo PT e que havia sido chamada recentemente pelo partido, justamente, para ajudar o Lula em sua campanha nas redes sociais. De apoio desenfreado ao aborto (tema ainda sensível num país majoritariamente religioso e católico) a frases consideradas preconceituosas por alguns, passando pela defesa da censura virtual, seu antigo perfil no X (ex-Twitter) foi dissecado pelos apoiadores da direita, do bolsonarismo e pelos simples antipetistas daquela rede social e os posts foram trazidos à público. A nova parlamentar não aguentou aquela pressão, desativou o perfil e informou que tomaria as medidas cabíveis, sobretudo contra um deputado federal reeleito pelo mesmo estado: Nikolas Ferreira (PL).
Ainda falando sobre o assunto, ontem eu liguei para os meus pais, que continuam residindo em Buíque. E, ao comentarmos sobre o resultado do primeiro turno, eu e o meu pai acabamos chegando rapidamente a uma conclusão que muito dito cientista político não quer enxergar: esse esqueleto ideológico que se apresenta como esquerda no Brasil deixou de se comunicar com os brasileiros, sobretudo com os mais pobres e especialmente dentro do ambiente virtual. Muitos daqueles que usam ativamente o Instagram, o TikTok e o próprio X para se informar e se entreter eram pequenos ou já jovens quando testemunharam seus pais (assim como vi os meus) em frente à televisão, incrédulos e desiludidos, com o Lula preso e sendo levado algemado ao helicóptero da Polícia Federal naquele abril de 2018 pelos escândalos de corrupção deflagrados pela Operação Lava Jato. Ali não ocorreu apenas um ruído de comunicação, mas a destruição da imagem de um pai dos pobres e de um político que seria diferente da figura tradicional atrelada aos bandidos e vagabundos que permeiam os poderes do Estado desde sempre. Essa imagem, o PT e o próprio Lula nunca mais conseguiram recuperar. Nem um mea culpa fizeram sobre o assunto, o que manteve muita gente com ódio. Manobras judiciais à parte (e por parte de juízes igualmente vagabundos), o Lula só voltou ao Planalto em 2022 após seu discípulo direitista ter feito uma gestão nacional desastrosa, ainda mais com os ruídos de comunicação referentes à pandemia de COVID-19, aos furos de jornalistas e mais.
E mesmo que já saibamos de trás pra frente das rachadinhas, do Queiroz, das lojas de chocolate, das mansões milionárias e de todas as mutretas amplamente divulgadas acerca do Flávio Bolsonaro, ele tem reais chances de vencer a eleição presidencial no dia 25 simplesmente por adotar uma postura que nem seu pai foi capaz de adotar quatro anos atrás, custando inclusive sua reeleição: a de ficar em silêncio. Ou, quando fala, num tom manso e aparentemente conciliador. Afinal, com boa parte da Câmara e do Senado já garantida para o ano que vem, ele não precisa entrar em desespero.
Porém, se a campanha petista insiste no barulho para obter mais votos, novamente adotou uma estratégia equivocada. Os recentes fatos dão conta de que, até o dia 25, a votação do Lula nas urnas poderá diminuir. A linguagem petista dá a entender desespero, apelação, baixaria em comparação com o tom, até agora, usado pelo filho do Jair. E nem mesmo o indivíduo mais baixo, residente do local mais pobre do país, admite isso.
O PT ainda tem mais quinze dias para ajustar sua comunicação e buscar ser de fato convincente, ou então, serão as urnas que dirão ao partido uma coisa que ninguém lá dentro quer tão cedo ouvir.