OPINIÃO: DUAS COISAS EM QUE DEIXAMOS DE PENSAR AO AMAR

DISPONÍVEL PARA TODOS OS LEITORES: Se você não sabe quais são estas duas coisas, sugerimos que leia esta Coluna de Opinião. Não garantimos que lhe daremos as respostas que você talvez espere, mas certamente o texto te dará as respostas que você talvez precise (Foto de Orlando Allo para Pexels)

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Por João Gabriel Silva


Olhando os reels do Instagram me deparei com um do Nando Reis em que ele disse uma frase simples que me parou: a capacidade de amar é diferente do desejo de amar. Curioso como raramente paramos para pensar nessa diferença, pois vivemos tão ansiosos pelo desejo, tão movidos pela vontade de amar e ser amado, que esquecemos de perguntar se, de fato, temos a capacidade para isso.

Nessa direção, comecei a me questionar: existe diferença entre capacidade de amar e desejo de amar? Bem, não é algo tão fácil de definir.

Desejar amar é muito fácil: basta querer, basta sentir a falta de alguém, basta a vontade de não estar só. Por outro lado, a capacidade de amar é outra coisa bem diferente: ela é bem mais exigente. É entender e sustentar o outro como ele é, e não como queiramos ou precisamos que ele seja. É saber que o outro vai nos frustrar e que nunca vai atender toda a nossa idealização. É também conseguir perceber que errou, tentar reparar e não ficar apenas desejando ter acertado.

A capacidade de amar vai além de um sentimento. Ela é um exercício constante que exige paciência, coragem, determinação e vontade de ambas as partes. É algo que se constrói, se erra e se aprende novamente. Dessa forma, ela é muito mais rara que o desejo: desejo a gente sente sem se esforçar; já capacidade é exercitar-se muitas vezes indo contra a nossa própria pressa.

Olha que isso é uma confusão que frustra e termina com muitas relações, pois nem sempre o desejo corresponde à capacidade de amar, e quando falta essa capacidade para sustentar o que o desejo começou, a relação rui.

Dito de outra forma, é essa confusão que explica tanta relação que nasce intensa e não dura: o desejo chega rápido, forte, quase avassalador, e a gente confunde essa intensidade com capacidade. Só depois, no dia a dia, na frustração real, no erro que precisa ser reparado, é que se descobre se havia, de fato, capacidade, ou só o desejo de que houvesse. Por isso, é preciso pensar bem ao mergulhar de cabeça em qualquer relação amorosa.

Bem, no fim, talvez a diferença esteja exatamente aí: o desejo pergunta 'eu quero?'. A capacidade pergunta 'eu consigo?'. E é só respondendo as duas, com honestidade, que a gente entende por que tantas relações nascem inteiras e terminam em pedaços.

Se você quer construir uma relação duradoura e verdadeira, pergunte-se: desejo ou tenho capacidade de amar? Faça isso antes de apostar todas as suas fichas, pois toda escolha é também uma renúncia a todas as outras que você deixou de fazer.