ACOMPANHAMENTO DE HÁBITOS PODE RETARDAR EFEITOS DO ENVELHECIMENTO

 

Em estudo, idosos que receberam orientação regular sobre hábitos saudáveis tiveram melhor desempenho cognitivo e menor avanço da fragilidade

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Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein

Idosos que recebem acompanhamento regular para adotar hábitos saudáveis apresentam menor risco de fragilidade e declínio cognitivo do que aqueles que tentam implementar as mudanças por conta própria. A conclusão é de um estudo publicado no The Journals of Gerontology, feito por pesquisadores da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos.

Os autores chegaram à conclusão após acompanhar durante dois anos mais de 2.100 pessoas com idades entre 60 e 79 anos e com risco de perda cognitiva. Metade dos voluntários participou de um programa estruturado, com consultas regulares e orientações sobre alimentação saudável, atividade física, além de estímulos cognitivos e atividades sociais. Os demais receberam orientações gerais, mas a implementação do programa deveria ser feita por conta própria.

Para avaliar o envelhecimento, os pesquisadores utilizaram um índice de fragilidade, marcador associado a maior risco de doenças crônicas e mortalidade. Esse indicador foi adaptado considerando habilidades físicas e mentais em vários domínios que podem interferir na qualidade do envelhecimento, incluindo aspectos cognitivos, saúde mental, vitalidade, mobilidade e capacidade de visão e audição.

“O estudo aponta que, quanto mais déficits o indivíduo apresenta nos domínios, maior a tendência de se evoluir para o estado de fragilidade, muito mais do que se o déficit fosse mais intenso num domínio específico”, analisa o geriatra Clineu de Mello Almada Filho, do Einstein Hospital Israelita. Os dois grupos tiveram benefícios, mas aqueles monitorados de perto se saíram melhor na saúde geral, no índice de fragilidade e na performance cognitiva. “Evidentemente, um trabalho orientado por profissionais tem mais chance de promover aderência ao programa”, observa Almada Filho.

Nessa fase da vida, a maior barreira é sair da zona de conforto. “Essa mudança comportamental é difícil, principalmente após os 60 anos, e é preciso muita motivação. O reforço psicológico e motivacional dado por uma equipe de profissionais facilita esse processo. Mas a questão principal é atitude e determinação”, observa o geriatra.


Nunca é tarde para começar

A boa notícia, segundo a pesquisa, é que parece possível retardar o processo de envelhecimento mesmo adotando hábitos saudáveis tardiamente, já que o público analisado estava acima dos 60 anos. No entanto, é preciso uma avaliação médica completa, considerando dados clínicos, nutricionais, funcionais e até psicossociais antes de planejar intervenções.

“Os idosos são um grupo populacional muito heterogêneo. Com essa avaliação, usando-se escalas e índices, podemos ter uma noção do grau de vulnerabilidade desse indivíduo, em quais domínios (habilidades) ele apresenta declínios e como poderão ser implementadas mudanças em sua vida”, avalia o médico do Einstein. “Como mensagem, sempre há tempo, mas quanto antes iniciarmos esses cuidados, menos declínio e incapacidades estaremos sujeitos a desenvolver.”


Fonte: Agência Einstein