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| Estudo aponta que o exame pode evidenciar acúmulo de depósitos de cálcio nas artérias mamárias, fator que aumenta a chance de entupimento dos vasos |
Por Thais Szegö, da Agência Einstein
A mamografia, tradicionalmente usada para rastrear o
câncer de mama, pode ganhar uma nova função: ajudar a prever o risco de doenças
cardiovasculares. Com inteligência artificial (IA), pesquisadores dos Estados
Unidos observaram que o exame pode identificar sinais precoces de alterações
nas artérias, ampliando seu potencial para além da oncologia.
Publicado em março no European
Heart Journal, o estudo analisou dados de 123.762
mulheres submetidas à mamografia de rotina e sem histórico prévio de doença
cardiovascular. A IA foi usada para medir a presença de depósitos de cálcio nas
artérias mamárias, efeito associado ao envelhecimento e ao enrijecimento dos
vasos sanguíneos. Essas alterações estão diretamente relacionadas a um maior
risco de eventos cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral
(AVC) e insuficiência cardíaca.
“O estudo traz uma boa notícia, pois pesquisas mostram
que as mulheres temem o câncer de mama, mas não têm tanta consciência de risco
cardíaco que mata muito mais do que um tumor nessa parte do corpo. Por isso,
elas fazem muito mais mamografias do que exames preventivos do coração”, observa
a cardiologista Sofia Lagudis, do Einstein Hospital Israelita.
Incorporado à rotina de exames cardiovasculares, o
procedimento poderia fornecer informações valiosas para identificar sinais
precoces de doença aterosclerótica, além de auxiliar na estratificação de risco
cardíaco e orientar medidas preventivas de forma mais personalizada.
Mas ainda seriam necessários mais estudos, já que há
outros métodos validados. “Não se justifica a solicitação de uma mamografia com
o objetivo primário de investigar doença coronária, uma vez que existem métodos
diagnósticos mais específicos e direcionados para essa finalidade,
especialmente no contexto de suspeita clínica, apesar de o exame das mamas
apontar informações importantes nesse caso”, pondera o cardiologista Tito
Paladino, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
O acúmulo de calcificação nas artérias observado na
mamografia não é, por si só, um indicativo direto de eventos coronários ou de
infarto agudo do miocárdio. Na realidade, a calcificação arterial representa
uma manifestação da aterosclerose sistêmica, refletindo um processo difuso no
organismo.
Daí a importância de novas análises para aprofundar esses
achados. “Ainda é imprescindível validá-los em mais estudos, adaptar a
ferramenta de IA ao equipamento convencional de mamografia, bem como avaliar a
capacidade dos diversos aparelhos que fazem o exame em fornecer informação
adequada”, pontua Lagudis.
Fatores de risco
“A calcificação das artérias é um processo cumulativo e
irreversível, de modo que é preciso controlar os fatores de risco da melhor
forma possível”, orienta a médica do Einstein. Entre as medidas protetivas estão
manter pressão arterial, glicemia e colesterol em níveis adequados; adotar
hábitos que protegem a saúde do coração, como não fumar e evitar o consumo
alcoólico; seguir uma alimentação equilibrada, praticar atividade física
regularmente e preservar um peso saudável.
Em mulheres, essa atenção se torna ainda mais importante
com a chegada do climatério e o avanço da idade, fases em que a proteção
hormonal diminui e o risco cardiovascular tende a aumentar.
Fonte: Agência Einstein
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