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| DISPONÍVEL PARA TODOS OS LEITORES POR TEMPO LIMITADO: Nesta Coluna de Opinião, traremos a seguinte questão, além da que o próprio título trouxe: qual livro você leu e que mudou sua perspectiva sobre o mundo em que você vive? (Foto de olga Volkovitskaia para Pexels) |
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Antes de saber o que havia dentro de um livro, antes
mesmo de sentir aquela emoção de pedir só mais cinco minutos, só mais um
capítulo… eu sempre passei por eles como quem passa diante de uma porta
fechada. Via capas bonitas, títulos que chamavam atenção, mas nunca me sentia à
vontade para entrar, para experimentar de verdade. Até que A Seleção,
da Kiera Kass, apareceu para mim, como um convite sutil, como um sussurro
suave.
Pode parecer até meio bobo, mas eu lembro direitinho
da sensação de segurar aquele livro nas mãos. De passar os dedos devagar pela
capa, que era tão bonita, tão convidativa, e abrir a primeira página com uma
curiosidade que eu nem sabia que existia dentro de mim. Quando comecei a ler,
não foi só ver palavras escritas, foi como se alguém tivesse me chamado para
sentar bem pertinho e contar uma história. A América surgiu ali, viva, cheia de
dúvidas, de desejos, de sentimentos que eu entendia tão bem, como se fossem os
meus próprios sentimentos.
De repente, eu já não estava mais onde eu estava. Eu
conseguia ver as cores do palácio, dos vestidos, ouvir o burburinho dos salões.
Fiquei tão envolvida, tão empolgada com tudo, que li o livro inteiro em um dia
só. E não parou por aí! A noite chegou, eu nem percebi. Não consegui dormir,
passei a madrugada toda acordada, virando página após página, simplesmente
porque não conseguia mais me desgrudar daquela história. A cada capítulo que
passava, o mundo ao meu redor ficava cada vez menor, e tudo o que existia de
verdade era o que estava acontecendo dentro das páginas.
Foi ali, naquela noite sem sono, que eu descobri que
ler não é só decifrar letras. É viajar sem sair do lugar, é sentir o que outro
coração sente, é morar um pouco dentro de uma vida que não é a sua, mas que, de
repente, passa a ser também.
A Seleção foi o primeiro. O primeiro
amor, a primeira porta que eu abri de verdade. Foi ele que me mostrou que os
livros são como asas, que cada história é um convite. Depois dele, muitos
outros livros vieram, cada um com o seu brilho, cada um com o seu jeitinho…,
mas nenhum trouxe aquela mesma surpresa, aquela alegria de descoberta que só o
primeiro consegue ter.
Hoje, quando abro qualquer livro, é essa sensação que
eu estou sempre procurando. É aquela mesma alegria, aquela mesma ânsia que
senti ao ler pela primeira vez, quando descobri que a leitura não é apenas um
jeito de passar o tempo, mas um jeito de encontrar refúgio, companhia.
Foi assim que eu me apaixonei pela leitura.
E talvez seja exatamente isso. Viver mil vidas dentro
de uma só. Carregar dentro do peito personagens que nunca existiram, mas que
deixaram marcas tão reais quanto as pessoas que a gente encontra pelo caminho.
Tem algo de mágico nisso que não consigo explicar direito, só consigo sentir.
Porque um livro não precisa ser perfeito para ser
seu. Não precisa ser um clássico, não precisa ter ganho prêmio nenhum. Ele só
precisa chegar na hora certa, do jeito certo, e tocar em algo que você nem
sabia que estava esperando ser tocado, pois o livro vai te trazer sensações e
emoções que você talvez não consiga expressar em palavras. Foi o que A
Seleção fez por mim. E é o que algum livro, em algum momento, faz por
cada pessoa que se permite entrar.
Se você ainda não encontrou o seu primeiro, eu te
digo com carinho: ele existe. Talvez esteja numa prateleira que você passou
reto, numa indicação que você deixou para depois, numa capa que não chamou
atenção à primeira vista. Mas ele está lá, esperando. E quando você abrir, vai
entender tudo o que eu tentei dizer aqui.
Você não vai só ler uma história. Você vai se
reconhecer dentro dela.
"Eu vivi mil vidas, amei mil amores, andei
por mundos distantes, e vi o fim dos tempos, porque eu li."
E você? Tem um livro que foi o seu primeiro amor?
